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Hist�ria Localiza-se no cora��o da g�ndara, sendo a maior freguesia do concelho de Cantanhede e a que situa mais a oeste.
A freguesia da Tocha, confina a norte com o concelho de Mira e a sul com a freguesia de Bom-Sucesso, do concelho da Figueira da Foz. A nascente faz fronteira com Arazede, do concelho de Montemor-o-velho e a poente o Oceano Atl�ntico.
Tem uma �rea de 78,88 Km2, estendendo-se pelos lugares de: Andrades, Barrins de Baixo e Barrins de Cima (tendo as suas origens no s�c. XVII), Berlengas (s�c. XVIII), Bracial, Cadaval, Caetanas e Caniceira (s�c. XVII), Casal do Jo�o (s�c. XVIII), Catarin�es, Cochadas (S�c. XVI / XVII), Escoural, Fonte Martel, Fonte Quente (s�c. XII /XIV), In�cios, Lagoa dos Bois, Morros, Pereir�es, Povoeiras, Praia da Tocha, Queixada da Raposa de Baixo e Queixada da Raposa de Cima (s�c. XVII) e Tocha (s�c. XVII).
De origens ancestrais, o vasto territ�rio da zona da Tocha havia sido doado ao Mosteiro de Santa Cruz, de Coimbra, por D. Afonso Henriques, aproximadamente no ano de 1140.
Pinho Leal, na sua obra �Portugal Antigo e Moderno� de 1878, caracteriza assim esta freguesia:
�Quintan eTocha (ou Atocha) - ...orago S. Jo�o Baptista bispado e distrito administrativo de Coimbra. Foi do suprimido concelho de Cadima.
O mosteiro de Santa Cruz, de Coimbra, apresentava o p�raco, que tinha 150$000 r�is de rendimento.
Esta freguesia � oficialmente conhecida pelo nome de Tocha,.... de Atocha; mas foram duas freguesias independentes, ambas dos cr�zias de Coimbra: a de Quintan � muito antiga, pois que a da Tocha foi dela desmembrada, no princ�pio do s�c. XVIII, ficando par�quia independente.
Hoje formam, outra vez, uma s� freguesia.
Nenhuma delas vem no Portugal Sacro e Profano, provavelmente por esquecimento, pois j� existiam muitos anos antes da publica��o deste livro.
� terra muito f�rtil em todos os g�neros agr�colas do nosso Pa�s.
Quintan, Quintea e Quintare � portugu�s antigo, o mesmo que Quinta. Quintanilha � o seu diminutivo, isto �, pequena quinta, quintinha.�
No dicion�rio Hist�rico e corogr�fico de Esteves Pereira e G. Rodrigues, de 1907, a cria��o da Freguesia � referida nos seguintes termos:
�A esta freguesia est� h� muitos anos anexa � da Quinta, que pertencia como ela, aos cr�zios de Coimbra, sendo S. Jo�o Baptista o orago desta, e de Nossa Senhora da Tocha, o de outro. A freguesia de Quinta, era por�m, a mais antiga das duas, pois que a Tocha foi dela desmembrada no pr�ncipio do s�c. XVIII, passando a formar uma par�quia independente. H� muitos anos, por�m, que est�o outra vez reunidas as duas freguesias.�
Efectivamente, a Tocha pertenceu ao concelho de Cadima at� a sua extin��o, em 31 de Dezembro de 1853, integrando a partir de ent�o o concelho de Cantanhede e pela lei n.� 62/85 de 9 de Julho, � elevada a categoria de Vila.
A Quinta da Fonte Quente, outrora independente, � loja de capelaria de Nossa Senhora da Tocha, e na freguesia de Cadima existe um lugar chamado Quint�, que tem capela dedicada, n�o a S. Jo�o Baptista, mas a Santo Amaro.
A igreja paroquial de Cadima, j� existia em 1181, cujo concelho foi criado pelo Foral de 23 de Agosto de 1514, dado por D. Manuel I, em Lisboa.
A antiguidade de Cadima comprova-se pela exist�ncia da antiga freguesia de Santa Maria, Nossa Senhora do �, pois as Igrejas hispano-visig�ticas celebravam a festa da Expecta��o do Parto ou Santa Maria do �, por determina��o do X Conc�lio de Toledo, no ano de 656.
Em 1708, Cadima era vigararia do termo da Vila de Tent�gal, em 1751, do termo da Vila de Montemor-o-Velho; e, em 1840, passou para Cantanhede.
Actualmente, a par�quia da Tocha pertence ao Arciprestado de Mira e Cadima ao de Cantanhede, na divis�o e organiza��o eclesi�stica da diocese de Coimbra.
Os terrenos de Cadima e Tocha foram dom�nio do Mosteiro de Santa Ccruz de Coimbra, que entregava as terras um aforramento a rendeiros sob a sua jurisdi��o.
Cadima pertencia-lhe j� desde o s�c. XII e Tocha viria a aparecer apenas no s�c. XVII, com a lend�ria ermida de Nossa Senhora D'Atocha, ou Tocha, como j� aparece escrita em 1712, no livro �Santu�rio Mariano� do historiador Frei Agostinho de Santa Maria, em que se relatam com pormenores factos relativos ao Santu�rio da Tocha.
Este Santu�rio come�ou em 1610, segundo dados hist�ricos, por ser uma ermida erigida em Louvo de Nossa Senhora D' Atocha, j� venerada em Madrid, desde 1162. Posteriormente, escrituras hist�ricas de 1623 mencionam igualmente terras circundantes da Tocha.
O templo que veio a substituir a ermida come�ou a ser edificado em 14 de Mar�o de 1654, de acordo com o Professor Universit�rio Padre Nogueira Gon�alves, baseado na Cr�nica de Santa Cruz de D. Frei Tim�teo dos M�rtires. Em 1670, foi entronizada neste templo a imagem da referida Padroeira (cujo t�tulo fora atribu�do pelo conc�lio de �feso, em 431, da Era Crist�), transferida da anterior ermida, com grande festa em 2 de Julho sob o mist�rio da Visita��o. Na referida festa da visita��o, criada em 1389, pelo Papa Urbano V, medita-se com Magnificat, o c�lebre canto de Maria:
�O meu cora��o louva o Senhor, porque Ele olhou para esta sua humilde serva! Ele � sempre misericordioso para aqueles que O adoram.� (cf. Lc. 1-46, 48, 50)
Esta foi a grande festa deste santu�rio, pois Santa Maria � Nossa Senhora da Luz (Tocha ardente) da qual nasceu Jesus (Mt. 1-16)
Da cultura popular, chega-nos a hist�ria da funda��o deste povoado, intimamente relacionado com a sua Padroeira.
Nossa Senhoa D' Atocha, a mais antiga padroeira de Madrid, � uma imagem de Santa Maria Sentada com o Menino no bra�o esquerdo.
Conta a tradi��o que um ap�stolo de Antioquia levou para a capital espanhola uma imagem da Sant�ssima Virgem, a quem levantou uma ermida. Nos campos cobertos de esparto (atochadas) � planta po�cea, cujas folhas servem para manufacturar cordas, capachos e outros utens�lios. A imagem tomou o nome de Senhora das Atochadas ou de Atocha. Os milagres da Santa fizeram crescer o culto e logo come�aram grandes romarias. Em 1162, a ermida foi agregada � Igreja de Santa Leoc�dia.
Carlos I, em 1523, fundou nova Igreja e convento, de que se ocuparam os irm�os da Ordem dos Pregadores, com aval do Papa Adriano VI, vindo a ter o padroado real.
Senhora milagrosa de muita devo��o, em Madrid, passou a ser venerada na regi�o da G�ndara, depois de ali ser constru�da uma ermida, em cumprimento de uma promessa de um fidalgo galego.
Narra a lenda que esse fidalgo, denominado Jo�o Garcia Bacelar, vivia na Galiza, mas ainda menino foi levado para Madrid para casa de um tio.
Um dia, quando o menino saiu montado numa mula, acompanhado de seus criados, caiu num precipicio. Logo envocou a Senhora D'Atocha para que o salvasse de t�o alta queda. E assim foi, os criados encontraram-no sentado numa pedra, s�o e salvo, tal como a mula.
Jo�o Garcia Bacelar, apesar de ainda muito novo, desde ent�o prometeu que se algum dia viesse a ser pessoa importante, edificaria uma ermida em sua honra.
De facto, quando este fidalgo regressa � sua terra Natal � Ponteveda, na Galiza � e depois viaja para Portugal, onde tinha um tio muito rico, que o adoptou. Numa das suas viagens pelas charnecas muito extensas e desertas � as G�ndaras � chegam � Quinta da Fonte Quente, pertencente ao Mosteiro de Santa Cruz, mas onde vivia um lavrador que rompia os matos da regi�o. E porque se tivesse interessado pelo lugar, Jo�o Garcia Bacelar n�o esqueceu o voto que fizera em crian�a e assim tratou de ajustar uma troca com o lavrador.
Ali instalado, o fidalgo mandou edificar uma ermida a Nossa Senhora D' Atocha, que desde ent�o, n�o parou de fazer muitos milagres.
No campo hist�rico-cultural, haveria muitos nomes a referir, al�m do fidalgo do s�c. XVI, Jo�o Garcia Bacelar, do escritor de 1712, Frei Agostinho de Santa Maria, de Visitadores e Priores de Santa Cruz, dos diversos, homens bons da terra, edis, autarcas, p�racos e profissionais de todos os of�cios e mestres que engrandeceram a terra da Tocha.
Do s�c. XX, destaca-se a figura do Professor Doutor Manuel Santos Silva, director do Hospital-Col�nia Rovisco Pais, cuja actividade se iniciou em 1947. S�o muitas as refer�ncias � sua dedica��o, por naturais da freguesia e por centenas de leprosos com a doen�a de Hansen. Pelo seu carinho e trabalho, tem hoje o seu nome atribu�do a uma rua no largo da Igreja Matriz.
Por outro lado, lembra-se tamb�m o nome do Dr. Jo�o Adelino da Silva Pereira, que foi presidente da Cam�ra Municipal de Cantanhede e alvo de uma homenagem na Praia da Tocha, visto ser um impulsionador do seu desenvolvimento. Em 13 de Agosto de 1967, foi dado o seu nome � Avenida Atl�ntica, paralela ao mar.
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